Bloqueio Session #1: A Hospedaria Pé-de-Coelho

Bloqueio Session é outra nova coluna aqui do blog, onde eu escreverei contos baseados nas sessões de RPG, que conta com a participação de integrantes do blog e nossos amigos. Espero que gostem!

BS#1

No reino de Dathros, existe uma vila tão pequena que mal merecia um nome. Nela vivem poucas pessoas, que vivem suas vidas pacata e monotonamente. Conhecida por Vila da Fumaça; é chamada assim, pois uma vez por ano é inundada por uma névoa branca e espessa, que se assemelha muito à fumaça. Os moradores locais acreditam que essa névoa traz consigo espíritos de antigos guerreiros e heróis, e nesse dia, ninguém sai de casa.

Coincidentemente, foi neste exato dia que um pequeno grupo de viajantes estava passando pela Vila da Fumaça. Haviam escolhido este caminho por ser o mais curto e rápido em direção à capital, onde procurariam por trabalho. Não acreditavam na história dos espíritos escondidos na névoa, mas o nevoeiro tornava sua viagem completamente impraticável. Por isso se dirigiram até uma pequena hospedaria, a única na cidade.

Na frente dela se encontrava um cavalete com um pé de coelho pintado de roxo desenhado, e acima dele se liam as inscrições “Hospedaria Pé-de-Coelho”.

Hospedaria Pé-de-Coelho

Burton estava limpando uma caneca de vidro atrás do balcão quando um grupo de aventureiros entrou pela porta da hospedaria. O homem se assustou e quase deixou a caneca cair ao ver que um golias entrava pela porta. Um humanoide de dois metros e meio. Sua pele era acinzentada como pedra, vestia uma armadura de couro. Carregava nas costas um escudo e uma espada. Não possuía um único fio de cabelo ou barba, e tinha pinturas de guerra pelo corpo todo.

Logo atrás dele vinha um eladrin, com cabelos loiros e compridos, de olhos sem pupila, completamente verdes. Ele entrou com ar de soberania e nariz em pé, murmurando algo. Burton viu alguém saindo de trás do eladrin, que a primeira vista parecia uma criança, mas após alguns segundos observando atentamente ele percebeu que era um gnomo. Não tinha muito mais do que um metro, e vestia uma capa azul marinho que quase o envolvia completamente, devido ao seu tamanho.

Eles sentaram-se em uma das escassas mesas que o salão da hospedaria possuía, enquanto Burton saiu de trás do balcão, com um pano pendurado no ombro e uma pequena bolsa de dinheiro no cinto. Ao se aproximar da mesa os aventureiros analisaram melhor o hospedeiro. Ele era um homem com cerca de um metro e sessenta, com o topo da cabeça calvo. Ele tinha um grande nariz redondo, que só não era maior do que o seu imenso bigode. Carregava em seu pescoço um cordão com um pé-de-coelho roxo como pingente.

-O que posso fazer pelos senhores? – perguntou o hospedeiro com o pé-de-coelho balançando no pescoço e um largo sorriso no rosto.

O golias virou o pescoço vagarosamente, e o hospedeiro teve olhar para cima para poder olhá-lo nos olhos – Queremos algo para comer, e um quarto para passar a noite.

– Ah! Sim! Claro! – Balbuciou o hospedeiro, nervosamente – Vejamos… – Disse ele, e fez uma expressão de quem faz cálculos de cabeça – Por duas peças de ouro e cinco de prata vocês têm direito a uma janta e um quarto para cada um.

– Excelente! – gritou o gnomo – Estou morrendo de fome! Traga-nos a comida o mais rápido possível!

-Claro senhor! Claro! Trarei sua comida em poucos minutos – Disse Burton, terminando sua frase enquanto entrava por uma porta atrás do balcão. Provavelmente a cozinha.

O grupo ficou conversando sobre trivialidades e dificuldades na viagem: sujeira nas botas, poeira na capa e sangue seco no fio do machado. Esse tipo de coisa. E demoraram alguns minutos para perceber que eles não eram os únicos no salão da hospedaria. Sentado ao fundo, escondido na meia luz, se encontrava um anão.

Era da mesma altura que o gnomo, porém muito mais velho. Sua longa barba branca lhe caía até a cintura, e ele possuía uma pintura avermelhada abaixo dos olhos. Em cima da mesa estava seu elmo, de um metal prateado e muito bem polido, que continha um raio e um martelo desenhados, sinais de coragem e poder. E ao seu lado, apoiado na parede se encontrava um machado de guerra. Aparentemente era feito de um metal rústico e pesado, mas suas formas eram muito bem delineadas, e o fio da lâmina era afiado o bastante para cortar um fio de cabelo.

 Wilven

Após se deliciarem com uma deliciosa sopa de coelho e um grande caneco de cerveja, os aventureiros descansavam sentados no salão da hospedaria Pé-de-Coelho. Estariam mais relaxados, não fosse o anão sentado ao fundo, que havia se mantido quieto o tempo todo, movendo-se apenas para acender seu cachimbo, impregnando a hospedaria com o cheiro de sua excelente erva de fumo.

O silêncio da noite foi quebrado pelo ranger da porta e o som do vento frio, enquanto um tiefilng adentrava o salão, vestindo roupas de viagem e uma capa vermelha. Seus chifres tinham formato circular, e seu cavanhaque fazia com que ele parecesse muito com um bode, mais do que os tieflings normalmente se parecem.

bruxo_tiefling_com_orbe

Ele se dirigiu até Burton, que descansava atrás do balcão, e num movimento rápido moveu sua mão na direção do pescoço do hospedeiro, mas sua ação foi interrompida bruscamente por algo que os viajantes não conseguiram enxergar. O tiefling gritou de dor e deixou uma adaga cair no chão, enquanto seu braço era forçado para trás por uma mão dourada flutuante. Ele lançou um olhar raivoso na direção do anão, e os aventureiros perceberam que ele estava com sua mão pairando no ar, como se estivesse segurando algo.

No momento seguinte ouviu-se um estardalhaço de vidro se partindo e cacos de vidro se espalharam pelo chão da taberna. O tiefling caiu no chão, com sangue escorrendo da cara. Ele juntou sua adaga e saiu correndo porta afora. Quando voltaram seus olhares para Burton, viram que ele segurava a alça de uma caneca de vidro.

-D-Desculpe! Essas coisas não costumam acontecer por aqui – falou o hospedeiro, desesperadamente, enquanto juntava os cacos de vidro no chão – Por favor, fiquem. Devido ao… Incômodo, vocês não precisam pagar pela estadia!

-É claro que não precisamos – Disse o Eladrin, num tom de soberba – Estou indo para o meu quarto – Levantou-se e subiu as escadas em direção ao quarto.

-Acho que está ficando tarde, já está na hora de fechar a hospedaria – dizia o gnomo, enquanto ajudava Burton a juntar os cacos – Desculpe pelo Aramis – disse, fazendo um aceno com a cabeça em direção às escadas – Ele é meio estranho.

– Ah, não, está tudo bem – respondeu o hospedeiro de maneira nervosa.

-Lielf – disse o gnomo, estendendo a mão com um sorriso caloroso.

-Prazer – O hospedeiro apertou sua mão, parecendo calmo.

Neste momento o golias levantou-se da sua cadeira e andou até o anão. Os dois se estudaram por alguns instantes, até que o anão quebrou o silêncio.

-Posso ajudar?

-Eu queria parabeniza-lo, pela sua coragem – respondeu o golias, oferecendo sua imensa mão ao anão.

-Obrigado. Realmente, é raro encontrar alguém corajoso hoje em dia. Mas vejo aqui que encontrei um! – O anão falou animadamente, enquanto apertava vigorosamente a mão do golias – Wilven meu amigo, muito prazer!

-Meu nome é Gatlek! – Os dois se cumprimentavam com um sorriso no rosto.

Todos estavam em seus quartos, dormindo. A rua estava quase que completamente tomada pela névoa, não se enxergava um palmo a frente do nariz. Mas um brilho, vindo do meio da névoa, iluminou a rua. No início era um brilho fraco e pálido, mas logo se tornou uma imensa bola alaranjada de luz e fogo, que se dirigiu em direção à hospedaria. Em poucos segundos a hospedaria estava em chamas.

Do seu quarto Aramis ouviu uma explosão, e sentiu os móveis do seu quarto mexerem, o que rapidamente o tirou de seu estado de meditação. Ele pediu desculpas à Corellon, seu deus, por interromper suas preces, mas obviamente ele não podia ficar parado. Olhou pela janela, e viu que o andar de baixo estava ardendo em chamas, e havia pessoas lutando na rua. Ele apoiou seu pé no parapeito da janela, e com um leve giro se projetou para fora da hospedaria, caindo com leveza na rua, tomando cuidado para que a poeira não sujasse sua capa.

O gnomo, ao ouvir a explosão, rapidamente juntou seus pertences, colocou-os no bolso da capa e desceu a escada. Chegando ao salão da hospedaria, as chamas não o deixaram se mover, o calor era demais. Ajoelhado no chão, transpirando e sufocado, Lielf viu que o teto da hospedaria estava rachando “As chamas consumiram a estrutura, a hospedaria vai desabar, é o meu fim” pensou ele. Mas quando o teto da hospedaria caiu, não foram apenas pedaços de madeira e móveis que caíram.

O que, a primeira vista parecia uma enorme rocha, revelou-se em meio às chamas um enorme golias com um enorme machado em punho. Ele caiu ajoelhado, com as mãos protegendo o rosto. Ele viu seu amigo caído no chão, então o puxou pela capa e o envolveu com seu enorme braço, protegendo-o das chamas.

Gatlek saiu correndo em direção à janela da hospedaria e com um salto atravessou a parede, fazendo com que centenas de cacos de vidro e lascas de madeira se espalharam pela rua. Ele gentilmente pousou seu amigo no chão, então ergueu-se com toda imponência que os seus dois metros e meio e seu machado de duas mãos permitiam.

racesgoliathmale

Gatlek viu que, caído no chão, sangrando e chorando, estava Burton, o hospedeiro. Logo a sua frente, de pé, estava Wilven, o anão. Ele vestia o seu elmo e segurava seu machado de guerra firmemente. Seu punho tremia, devido à força que ele fazia ao segurar o machado. Aramis percebeu que sua mão estava queimada e sangrando.

Logo a frente do anão estava o tiefling que havia invadido a hospedaria mais cedo. Ele vestia uma longa túnica de cetim vermelho. Em uma das mãos ele segurava uma adaga, e na outra uma varinha de cedro.

Ele fez um movimento circular com sua varinha, e lançou uma bola de fogo na direção do anão. Rapidamente Wilven se ajoelhou e utilizou a lâmina do machado como escudo. As chamas se desfizeram em volta do anão, após se chocarem com o seu machado. Então ele pulou na direção do tiefling e atingiu seu queixo de baixo para cima com o cabo do machado.

Em meio às sombras, Lielf surgiu, colocando o capuz de sua capa para trás. Ele juntou as duas mãos, como se segurasse uma esfera, e então um orbe de luz branca saiu de sua mão, atingindo o tiefling no estômago. Ele caiu de joelhos no chão, vomitando. O golias aproveito a chance e deu uma joelhada em sua mandíbula, tão forte que arrancou alguns dentes de sua boca.

Aramis atravessou a rua, e então subiu ao telhado da casa que ficava do lado oposto à hospedaria. Após alguns cálculos rápidos, arremessou duas shurikens no tiefling. Uma delas descreveu uma linha reta, que o atingiu na panturrilha, e a outra fez um movimento circular e cravou-se no chifre do tiefling.

O anão acertou um soco na cara dele, que o fez cair de quatro no chão. Então o golias deu um chute em seu abdômen, que o ergueu dois metros do chão. Com um movimento brusco e direto de seu machado o golias partiu o tiefling em dois. Enquanto era rasgado no meio o tiefling soltou um urro demoníaco de dor, e se desfez em chamas. Um segundo depois não restava mais nenhum vestígio do tiefling, a não ser a hospedaria em chamas.

fogo

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3 comentários em “Bloqueio Session #1: A Hospedaria Pé-de-Coelho

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