Bloqueio Session #2: Bebei Amigos Yo-Ho!

Olá nerds, hoje trago a vocês a segunda edição do Bloqueio Session! A série de contos aqui do blog. Mas você não vai querer ler o dois, sem ler o primeiro né? Pois não vai entender nada. Então leia o Bloqueio Session #1: A Hospedaria Pé-de-Coelho. Mas se você já leu, siga em frente e acompanhe nossos aventureiros!

BS#2

Após ajudarem a apagar o fogo da hospedaria, o grupo de quatro aventureiros seguia Wilven, o anão, até a casa de um amigo dele que vivia na Vila da Fumaça, para que pudessem cuidar de seus ferimentos e descansar. Todos chegaram a um pequeno casebre de madeira, que só não era derrubado pelo vento, pois estava entre duas casas que o protegiam. O anão bateu a porta, e eles esperaram cerca de um minuto até que a frágil porta de madeira se abriu com um leve rangido.

Do outro lado da porta estava um senhor com cerca de sessenta anos, com cabelos brancos e escassos. Seus olhos eram azuis e profundos, mas um pouco distantes. Vestia roupas de festa, porém tão velhas, surradas e remendadas, que estavam em pior estado que roupas de viagem. Ao abrir a porta ele direcionou seus olhos para Wilven, abriu um longo sorriso, e então falou:

– Olá Wilven! O que o traz aqui? – Enquanto olhava para os aventureiros atrás dele.

– Nós estávamos na Pé-de-Coelho quando apareceu um tiefling maldito. Ele atacou Burton. Mas juntando nossos esforços o derrotamos. E o Gatlek aqui o partiu no meio! – Disse o anão dando um tapa nas costas do Golias que estava ao seu lado.

-E quem são estes seus amigos? – Perguntou o homem, analisando os aventureiros com um olhar crítico.

-Estes são Gatlek, um excelente guerreiro! – Falou o anão, apontando na direção do golias – Lielf – Apontou na direção do gnomo – Ele pode ser pequeno, mas não se deixe enganar. Sua coragem arde como fogo! E este é Aramis. Solene e sanguinário. – O anão apontou para o último, mas não menos importante dos aventureiros, que estava parado de pé, ereto, como se todos devessem sentir-se honrados por estarem em sua presença. – E rapazes, este é Billy Wonkey – O anão apontou para o senhor parado atrás da porta.

– Se Wilven confia em vocês… – Ele abriu a porta e fez menção para que entrassem.

O casebre era realmente pequeno, e a sala possuía uma grande mesa no centro, repleta de livros, pergaminhos e frascos sobre ela. E assim era por toda a sala. Livros em estantes, cadeiras, e até mesmo no chão. Billy os guiou até um quarto que possuía algumas redes e disse que eles poderiam dormir ali. O golias se acomodou no chão. Após alguns minutos ele voltou com alguns frascos, ervas e bandagens. Ele fez curativos precisamente meticulosos nos machucados e escoriações de todos. A mão de Wilven foi o mais trabalhoso, pois estava muito machucada e queimada. Provavelmente não poderia usá-la por um ou dois dias.

-Descansem, logo pela manhã estarão se sentindo melhor, principalmente você Wilven. Ah, e desculpe por não ter algo do seu tamanho Gatlek. – Desculpou-se Billy.

-Não, está ótimo! – Disse Gatlek, gentilmente. E Billy viu que ele não parecia ser tão ameaçador assim, apesar de ter mais de dois metros de altura e punhos maiores que a sua cabeça… Bem, na verdade ele parecia muito ameaçador sim.

Os aventureiros acordaram algumas horas após o nascer do sol, sentindo cheiro de bacon e ovos. Surpreendentemente Gatlek tinha tido a melhor noite de sono, e não sentia dores, mas Lielf e Aramis tinham achado as redes levemente desconfortáveis. Logo que levantaram todos notaram a ausência de Wilven no quarto. Quando chegaram à sala pensaram estar em um local totalmente diferente.

Os livros e pergaminhos que estavam espalhados pela casa no dia anterior estavam agora dentro de armários e estantes, ou empilhados organizadamente em algum canto. A mesa estava repleta de pães, geleias e queijos. O cheiro de bacon e ovos vinha da cozinha, que ficava ao lado da sala, e de lá eles viram Wilven saindo, com um prato farto em mãos.

– Ora, ora! Vejo que acordaram finalmente! Sentem-se e comam. Billy teve um trabalho imenso para preparar tudo isto!

-Que isso Wilven! Isso é como brincadeira de criança para mim! Fiz incontáveis vezes nos meus anos de… trabalho. – A voz de Billy saiu da cozinha.

Os aventureiros sentaram e comeram. Tudo estava muito fresco e bem preparado. As janelas abertas e a luz matinal fazia eles se sentirem renovados. Ainda mais após tomarem um “suco especial” de coloração azulada que Billy fez para eles. Era insípido, porém muito revigorante. Após a refeição todos agradeceram e ajudaram a arrumar a mesa e limpar a louça, menos Aramis. Todos estavam sentados à mesa, e Wilven puxou um cachimbo.

-Há! Estou guardando esta erva de fumo há meses para algum momento especial. Comprei-a de alguns halflings que encontrei no caminho. Realmente excelente. Só não supera as que o meu velho avô cultivava. – E o cachimbo circulou pela mesa enquanto todos relaxavam. Até que Wilven quebrou o silêncio. – Então amigos, para onde estão indo?

– Não temos um destino certo – Aramis começou a falar – Estávamos indo em direção à capital, em busca de um trabalho digno de nosso grupo. Sempre há algum nobre precisando de uma escolta, ou alguns comerciantes tendo problemas com ladrões.

– Sim, entendo… E se eu lhes dissesse que não precisam ir tão longe para conseguir um trabalho? – Disse o anão, levantando a sobrancelha e soltando um círculo de fumaça pela boca.

– Estaríamos interessados em ouvir – Falou Aramis, inclinando a cabeça, enquanto os três aventureiros trocaram olhares.

– Veja bem. Vocês já ouviram falar de Amim? – Lielf e Aramis fizeram que sim, mas Gatlek fez uma cara de dúvida. – Amim foi um dos maiores guerreiros já existentes. Ele lutava apenas por seus ideais. Junto com um pequeno grupo, que segundo as lendas, eram ferozes como lobos. Ele queria se tornar o ser mais poderoso de todos, e por isso juntou riquezas e tesouros. Dizem que enfrentou reis e batalhou contra deuses. Mas um dia seu bando foi derrotado, e ele desapareceu como fumaça.

– Ao longo de séculos vários de seus esconderijos foram encontrados. E dentro deles, vários tesouros e itens preciosos que causariam inveja até os deuses. Encontrar algum esconderijo de Amim é o sonho de qualquer explorador. Em uma de minhas viagens eu encontrei um mapa. – Wilven colocou um mapa sobre a mesa – Tudo indica que aqui há um dos esconderijos de Amim – Disse apontando para um ponto no mapa – Com certeza há um tesouro incrível lá dentro, que poderia render muitas moedas de ouro. Mas eu não conseguiria fazer isso sozinho.

– E o que ganharíamos com isso? – Perguntou o gnomo Lielf.

– Nós dividiríamos o dinheiro, é claro. Além da aventura! Qual moça não ficaria encantada em conhecer alguém que invadiu o esconderijo de alguém que desafiou os deuses, hun?

– Estou dentro Wilven! – Gritou Gatlek, batendo seu imenso punho na mesa. Fazendo todos se assustarem um pouco.

– Como você sabe que aí fica um dos esconderijos? – Perguntou Aramis.

– Eu descobri após algumas semanas de pesquisa na biblioteca de um santuário por onde passei. – Respondeu Wilven – Pode não parecer, mas eu não vivo só de batalhas.

– Bem, você parece ser de confiança. Fez com que seu amigo nos acolhesse em sua casa, e agora nos oferece um trabalho. Além de Gatlek ver algo de especial em você – Disse Aramis, e Gatlek assentiu com a cabeça – Desde que sejamos devidamente recompensados, eu estou dentro! E você Lielf?

– Encontrar um tesouro de Amim! Isso seria incrível! Minha mãe contava histórias dele quando eu era criança. Eu iria nesta aventura nem que fosse apenas para ver quais tesouros o esconderijo guarda.

– Tudo bem! Está resolvido então. Organizem suas coisas, pois amanhã, logo que o sol nascer nós partiremos.

Aproveitaram o dia para comprar suprimentos e utensílios necessários. Gatlek passou o resto da tarde afiando seu machado. Aramis ficou meditando, se alongando, e reabastecendo os diversos bolsos internos de sua capa. Lielf ficou fora o dia todo, e voltou ao anoitecer tropeçando pela rua, soluçando e com as bochechas vermelhas. O mais surpreendente foi que carregando ele veio Wilven, um pouco, porém não muito mais sóbrio que ele. Os dois cantavam e riam alto.

“Bebei Amigos Yo-Ho!”

Gatlek e Aramis os colocaram para dormir, e Billy deu um chá a eles, que segundo ele diminuiria sua ressaca pela manhã. Depois que o anão e o gnomo dormiram, Gatlek e Aramis foram ao pátio dos fundos e deitaram na grama. Aramis olhou o céu e sentiu falta das belas constelações de sua terra. Gatlek olhou o céu e se perguntou quando poderia utilizar seu machado novamente.

Semi #2

Por hoje foi isso pessoal. Um pouco mais curto e bem mais relax do que o conto passado. Mas nem só de batalhas se vive a vida certo? Se gostou, ou tem algo a dizer, por favor, comente aí em baixo. Curta o post e dê um like na page no facebook! Muito obrigado por lerem e até a próxima.

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2 comentários em “Bloqueio Session #2: Bebei Amigos Yo-Ho!

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