Bloqueio Session #4: Feroz Como Um Lobo (Season Finale)

Olá nerds! Hoje, depois de muito tempo, vai ao ar o último capítulo da primeira temporada do Bloqueio Session. Com muito esforço e esmero, conseguimos! Mas se não leu os outros capítulos, pare agora, leia-os, e depois volte aqui. Não se assuste, são apenas três!

Bloqueio Session #1: A Hospedaria Pé-de-Coelho

Bloqueio Session #2: Bebei Amigos Yo-Ho!

Bloqueio Session #3: A Entrada

 BS #4 Ferozes como Lobos

Aramis aproximou sua tocha da rocha e revelou uma tabela com números que estavam circunscritos nela. A inscrição não parecia ter sido feita há muito tempo, pois estava bem conservada, mas a camada de sujeira que cobria a rocha mostrava que ninguém mexia nela havia muito tempo.

– Interessante – Sussurrou Aramis.

– O que é interessante? Deixe-me ver! – Falou Lielf, o gnomo, pulando para tentar enxergar.

Aramis se afastou pensativo, entregando a tocha para Gatlek, e sentou-se escorado na rocha. Então todos viram o que estava inscrito na rocha:

BS#4 Pedra

– Eu já vi isso. – começou a falar Aramis – Ou algo parecido pelo menos. É uma espécie de enigma. Já brinquei disso quando criança, mas não gostava muito. Se chama…

– Quadrado Mágico. Eu brinquei muito disto quando criança. Desde pequeno adorei números e desafios matemáticos.

– Eu me interessava apenas pelo número de moedas em meu bolso, hehe – riu Aramis.

Lielf pigarreou para limpar a garganta, tentando ignorar Aramis – Este aqui é bem simples, pois há apenas um número faltando. Fizeram assim para que houvesse apenas uma resposta. A soma de todas as retas deve ser o mesmo número, e eles não podem se repetir.

– O único número faltando é cinco! Eu conheço este jogo como Sudoku. Aprendi com um monge que conheci em uma viagem há anos atrás – Falou Wilven.

– Mas e agora? Ô pedra! É cinco! – Disse Gatlek olhando seriamente para a pedra.

-Ela não vai responder Gatlek – Falou Lielf condescendente.

Os aventureiros sabiam a resposta, mas não sabiam o que fazer com ela. Falaram “cinco” em todas línguas que conheciam, e tentaram escrever na pedra com galhos, facas e pedras, mas nada aconteceu. Resolveram descansar um pouco, pois estavam exaustos da viagem e da sua batalha anterior. Xingaram quando uma forte chuva começou, mas conseguiram se abrigar embaixo de uma grande árvore.

– Hey, olhem aquilo! – Disse Aramis apontando para a rocha.

– O que foi Aramis? – Perguntou Gatlek.

– A chuva… limpou a pedra. Havia mais inscrições na pedra! – E ao se aproximarem todos viram a pedra por completo.

BS#4 Pedra c Porta

– Uma porta! – Exclamou Aramis.

– Acho que antes de entrarmos, devemos bater – disse Wilven, e então bateu cinco vezes na rocha.

Ouviu-se então um som de mecanismos e engrenagens. A rocha começou a se inclinar para trás vagarosamente, como se não fizesse isso há muito tempo, e com um som, quase como um suspiro de descanso, deitou-se no chão. Onde antes estava a pedra, agora havia um buraco no chão, que revelava uma escadaria de pedra em espiral que descia em um túnel escuro. Tochas foram acesas, e todos começaram a descer.

Após um minuto descendo os aventureiros chegaram a um grande salão, que parecia ter sido utilizado para grandes reuniões e festas, mas agora jazia esquecido. Sujo e empoeirado. Grandes colunas sustentavam um teto abobadado, que ao fim de suas curvas davam início a grandes paredes com pinturas praticamente apagadas pelo tempo.

– Estes salões já viram muitas vitórias – disse Wilven.

– E muitas riquezas – complementou Aramis. Wilven assentiu.

– E faz tempo que já não vê uma faxina também – disse Gatlek, cheirando o ar.

– Sim Gatlek, eu sinto também. Um cheiro de carniça. E vem daquela direção! – Disse Lielf, apontando para a parede oposta do salão e lançando um orbe de luz, que flutuou vagarosamente. Primeiramente refletiu alguns pontos de luz na escuridão, mas logo revelou a origem do mau cheiro. Cinco zumbis estavam de pé, olhando para os invasores.

– Isso é magia negra! Amim deve ter colocado para proteger este local! Armas em punho, e em frente! – Gritou Wilven, erguendo seu machado e correndo na direção dos mortos vivos.

Ao seu lado corria o monstruoso Gatlek, com um sorriso no rosto. Um sorriso sedento por sangue. Mesmo que fosse um sangue seco e fétido. Ele desmembraria aqueles mortos-vivos com prazer. Quando se aproximaram, um dos zumbis se jogou na direção de Wilven.

O anão o acertou com o machado bem nas costelas, mas ele era pesado demais, e os dois caíram no chão, com a criatura por cima. Wilven manteve a boca dele longe, mas não conseguiu evitar que levasse um soco direto no supercílio.

-AAAAHHH!!! – o anão gritou! Gritou muito mais de raiva do que de dor.

Gatlek, vendo seu amigo naquela situação, tratou logo de dar um belo chute no flanco do zumbi, arremessando ele alguns metros de distância. Enquanto Wilven recebia ajuda de Gatlek para levantar-se, ele viu que outro morto vivo se aproximava por trás dele.

Antes que pudesse avisar, um feixe de luz surgiu das sombras decepando as pernas do zumbi, e Aramis saiu detrás de uma coluna e cravou uma adaga na cabeça do monstro. Um dos zumbis balançou uma espada enferrujada e sem fio no ar e a desceu na direção de Aramis.

Ele rapidamente defendeu-se com sua adaga, e com um chute arrancou a espada da mão do morto-vivo e o finalizou decepando sua cabeça. Gatlek correu na direção do zumbi que havia chutado. Estava caído no chão e o Golias o finalizou esmagando sua cabeça com seu enorme pé. A carne podre fez com escorregasse e caísse sobre outro morto-vivo que foi completamente esmagado.

Gatlek ficou caído no chão, urrando e se contorcendo de dor. A última criatura que sobrara se arremessou na direção de seu pescoço, mas muito antes que pudesse atingir seu alvo o zumbi foi atingido por uma lança de luz que varou o seu peito e o arremessou contra um pilar, onde caiu sem vida novamente.

-WOW! – Exclamou Aramis, enquanto Lielf apenas observou.

-Gatlek! Você está bem? – Disse o anão ajudando, na medida do possível, seu amigo a se levantar.

Quando se colocou de pé todos viram que ele possuía uma adaga enferrujada cravada nas costas que provavelmente se alojara lá quando caiu sobre o zumbi. Wilven pediu que ele se sentasse para que pudesse remover a adaga. O anão colocou suas mãos sobre o ferimento, e após entoar um cântico cavernoso e gutural na língua anã, a ferida estava curada.

-Obrigado parceiro – Agradeceu o golias.

Os aventureiros seguiram caminho, passando por uma sala de reuniões, e chegando a uma antecâmara com três escudos na parede. Um deles possuía a imagem de um guerreiro, a outra de um gladiador, e o escudo central continha um imenso lobo entalhado, com a boca aberta e suas presas a mostra.

Ficaram parados por alguns minutos. Não havia um caminho óbvio a seguir. Sentiam que estavam próximos do fim, e qualquer passo em falso poderia ser fatal. Gatlek estava com os dedos e a nuca coçando devido ao marasmo. Levantou-se e foi até o escudo central.

-Não, espere! – Gritou o gnomo Lielf.

– Lobos não usam escudos! – Exclamou o golias, e ARRANCOU o escudo da parede, levando com ele alguns tijolos, e revelando uma passagem circular, um túnel, que provavelmente levaria aos tesouros de Amim.

Todos atravessaram a passagem. Gatlek teve que rastejar, mas conseguiu chegar ao outro lado. Agora se encontravam em uma espécie de tumba. Fria e muito úmida, feita de pedras cinza e perfeitamente encaixadas. No centro havia uma pesa de pedra sólida, e sobre ela uma bola de cristal, perfeitamente esférica, lisa. Emitia um brilho interno, possuindo quase que sua própria aura luminosa, e parecia ter uma névoa dentro de si.

O cristal emitiu um enorme brilho que os obrigou a fechar os olhos, e quando abriram os olhos viram que a sua frente se prostrava um homem de aparência feral. Seus dentes eram amarelados, grandes e pontiagudos como presas. Seus olhos de íris brancas e pupilas verticais lembrava um felino. E suas unhas negras e compridas pareciam garras. Em uma das mãos segurava uma espada longa e fina, que prendia com tanta força que suas garras perfuravam a própria carne e faziam seu sangue pingar no chão.

O homem fungou o ar, como faz um predador atrás da presa, e quebrou o silêncio com uma voz rouca, fria e mortal. Parecia estar em um estado de calma. A calma que precede a fúria gigantesca, ou o bote de uma serpente.

– Há séculos vivo enclausurado dentro do cristal. Enfim seres corajosos ou estúpidos o suficiente despertaram-me de meu sono, e terei um pouco de diversão. Gostaria de saber suas alcunhas antes que eu, Amim, rasgue seus pescoços com minhas presas.

– Sou Gatlek, A Montanha!

– Sou Aramis, A Sombra!

– Sou Lielf, A Chama!

– Sou Wilven, A Tempestade!

– Ótimo – Sussurou Amim, retesando os músculos. Todos se colocaram em posição de batalha.

– Só uma pergunta – falou Aramis – Onde estão os tesouros incontáveis? Vejo apenas o fantasma de um lobo velho.

– Atrás de mim está a Pedra de Oráculus, O Vidente e Devorador de Almas. Se você usasse o seu poder, poderia prever que tu serás o primeiro a morrer – Gritou Amim, saltando em direção ao Eladrin.

Um choque de espadas, faíscas, e um golpe com o punho fez Aramis cair no chão. Uma rajada de fogo foi aparada com a espada, e Amim chutou a cabeça de Lielf, fazendo com que caísse desacordado. Wilven pulou da direção de Amim e suas armas se chocaram.

A espada do lendário guerreiro caiu no chão, partida em duas, porém o anão foi desarmado também. Trocou socos com o feroz guerreiro até que o cabo do machado de Gatlek o atingiu nas costelas e Amim caiu de joelhos no chão, sem ar.

Amim puxou uma adaga e cravou no joelho de Gatlek. O Golias deixou seu machado cair, com o qual o adversário se armou, atingindo Wilven na cabeça com a lateral da lâmina e o arremessando contra a parede, onde perdeu a consciência ao rolar para o chão.

Gatlek enfurecido partiu na direção de Amim. Seus olhos estavam vermelhos de raiva e sua têmpora pulsava e estava do tamanho de um dedo. Colocou suas mãos ao redor da garganta do inimigo, obrigando-o a soltar o machado. Ficaram assim por alguns minutos, enquanto Gatlek batia com a cabeça de seu inimigo contra a parede e o teto.

Quando Amim já estava roxo e quase desacordado, conseguiu finalmente puxar a adaga do joelho de Gatlek e cravar no braço do golias, que o largou. Gatlek foi atingido com um chute no joelho ferido que o obrigou a ficar de joelho. Inspirando fundo e soltando um grito, o poderoso guerreiro cravou a adaga no peito do golias que caiu para trás.

Um uivo ecoou pela tumba e por todos os corredores, que foi logo acompanhado de uma risada maléfica. De súbito, esta risada cessou, logo que uma espada curta atravessava a garganta de Amim, ele cambaleou e caiu de costas no chão, com a visão turva avistou Aramis de pé, ao seu lado.

-Isso foi por não ter a porcaria de UMA moeda com você!… E pelos meus amigos, é claro.

Amim começou a rir e tossir sangue. Surpreendentemente conseguiu se levantar, emitindo uma risada rouca e grotesca devido ao sangue na garganta. Aramis ficou sem reação, mas se manteve impassível. Amim retirou a espada da garganta – e notou um leve brilho vindo do bolso de Aramis, que também notou pela sua visão periférica – e seu ferimento se curou.

– Não se mata o que já está morto meu amigo! – O guerreiro falou mostrando suas presas.

– Diga isso aos zumbis lá em cima! – Gritou Aramis. Amim passou a mão sobre alguns ferimentos na cabeça, causados pela fúria de Gatlek, e novamente o bolso se Aramis emitiu um brilho. – Espere! E ele não é? O cristal! Ele te mantém… vivo, ou seja lá o que for.

– Como…? O que? – Falou Amim, como se tivesse sido pego de surpresa. Lançou um olhar na direção da mesa de pedra, e viu que seu cristal não estava mais lá. – Onde?! Onde você o escondeu, seu ladrãozinho cretino?! Acha que pode enganar aquele que desafiou os deuses? Devolva-me!

– Ladrão que rouba ladrão… – Começou Aramis, mas teve de interromper o ditado, pois Amim pulava em sua direção. Mais rápido que um raio, com uma adaga tirada das sombras Aramis afastou Amim com um corte que decepou sua mão. O cristal emitiu um brilho e uma pequena fissura se formou. – Ora, vá se danar. Que os deuses NÃO tenham pena de você, Amim Meia-Pata! – E cravou sua adaga na fissura, que brilhou intensamente e se partiu.

Amim começou a rir. Seu corpo brilhava e se desfazia em fumaça – Eu que não terei pena deles. Bom mergulho eladrin. Espero que esse punhado de cacos de vidro lhe seja de alguma serventia para onde vai.

Assim que o homem-lobo se desfez, Aramis começou a ouvir sons de engrenagens e o teto ruiu. A sala foi invadida por uma enorme quantidade de água, que rapidamente inundou a sala toda. A passagem por onde havia entrado estava bloqueada, não havia saída.

A mesa de pedra foi empurrada pela água, revelando um túnel que descia verticalmente. Formando uma espécie de redemoinho, a água sugou todos os aventureiros, junto com enormes pedaços de rocha, para o túnel como se ele fosse um enorme ralo, levando dejetos para uma passagem escura e sem vida.

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